O IPv6 para quem está relacionado à construção de políticas públicas.
Segundo a
Pesquisa sobre o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil, realizada pelo
Centro de Estudo sobre as TICs em 2007,
95% das empresas brasileiras com 10 ou mais funcionários têm computadores. Dessas, quase todas, 97%, acessam a Internet. Ou seja, 92% do total das empresas brasileiras com 10 ou mais funcionários utilizam a Internet para atividades do seu dia a dia.
De acordo com a mesma pesquisa, em média, 54% dos funcionários das empresas com 10 ou mais empregados utilizam o computador em suas atividades e 81% deles usam a Internet. Isso quer dizer que 43% do total de funcionários usa a Internet. Nota-se ainda que 46% das empresas que acessam a Internet mantém um sítio na rede (
website). Muitas delas utilizam o espaço para manter catálogos online de seus produtos e também para oferecer supor pós-venda. Outros usos da rede podem ser destacados: 99% delas utiliza o e-mail como forma de comunicar-se, enquanto 96% usa a Internet para obter informações sobre produtos ou serviços. Fazem uso de algum serviço de governo eletrônico via Internet 89% das empresas.
Sobre o uso que os brasileiros fazem da Internet pode-se dizer o seguinte: 40% dos brasileiros são usuários de computador e 34% são internautas, desses, 53% acessam a rede diariamente. Os números cresceram em relação à 2006. Quase 90% dos internautas brasileiros usam a rede para comunicação, lazer e busca de informações, 73% para educação e treinamento e 18% para atividades bancárias. Pode-se afirmar ainda que 45% dos internautas já utilizaram a rede para pesquisar preços ou produtos, e que 16% já fizeram compras online.
Esses dados servem para ilustrar um conceito que, provavelmente, poucos colocariam em dúvida atualmente:
a Internet está, cada vez mais, intrinsecamente ligada a vida dos indivíduos e das empresas no Brasil. A Internet é uma das bases sobre as quais está se constituindo uma nova ordem mundial, que se convencionou chamar de “Sociedade da Informação”. Uma das características dessa nova ordem é a velocidade com que as mudanças e novos desenvolvimentos tecnológicos ocorrem: “_90% dos cientistas que já viveram sobre a face da terra ainda estão vivos_” (Kotler). “_A massa de conhecimentos da humanidade, que hoje dobra a cada cinco anos, dobrará a cada 90 dias nos próximos dez ou quize anos_” (World Future Society). Nessa nova ordem, o que ditará a diferença entre ricos e pobres não será mais a divisão norte-sul, mas sim o acesso, ou não, à tecnologia e à informação.
O IP, mais precisamente o IP versão 4, ou IPv4,
é a base sobre a qual a Internet é construída. Contudo, seus endereços livres estão se acabando e as previsões indicam que eles se esgotarão por volta de 2010 ou 2011.
Sem novos números IP seria muito complicado conectar novos usuários à Internet. Seu crescimento ficaria prejudicado.
O IPv6 traz para a Internet um espaço de endereçamento capaz de suportar seu crescimento indefinidamente ou, pelo menos, em qualquer futuro que conseguimos imaginar até agora. Além de
resolver o problema de espaço, o novo protocolo também apresenta
avanços em áreas como segurança, mobilidade e desempenho. Prevê-se que ambos, IPv4 e IPv6, funcionem lado a lado na Internet por muitos anos. Mas, a longo prazo, o IPv6 substituirá o IPv4.
A implantação do IPv6 nas redes e na Internet brasileira é de suma importância. Sem o IPv6 corremos o risco de ficar isolados de parte da Internet. Sem ele ficará difícil levar a
inclusão digital a seu melhor termo, pois faltarão endereços. Sem ele não nos beneficiaremos de
novas aplicações na rede e a disseminação de
tecnologias emergentes como voIP e 3G, entre outras, ficará prejudicada.
Apesar do IPv6 trazer benefícios, estes não são visíveis a curto prazo, nem para as empresas e usuários finais em geral, nem para os provedores de Internet. Não obstante,
a implantação do IPv6 é inevitável e requer planejamento e, eventualmente, gastos.
Vários governos têm incentivado a implantação do IPv6 na Internet, através do envolvimento de autoridades das áreas de comunicações, energia, ciência e tecnologia, educação, entre outras. Dentre as diversas ações tomadas, podemos citar as seguintes:
Nesse contexto, a intervenção do governo, em suas várias instâncias, é essencial para o sucesso dessa implantação. Vários governos, mundialmente, têm se conscientizado disso e incentivado a implantação do IPv6 na Internet, através do envolvimento de autoridades das áreas de comunicações, energia, ciência e tecnologia, educação, entre outras. Dentre as diversas ações tomadas, podemos citar as seguintes:
- Apoio a projetos de pesquisa sobre IPv6, e a projetos para a disseminação do novo protocolo.
- Criação de normas para aquisição de equipamentos e serviços, na esfera administrativa, com suporte obrigatório a IPv6.
- Implantação do IPv6 nas redes e serviços Internet do governo.
- Incentivos fiscais à adoção do IPv6.
Como exemplos de países que têm implantado ações em prol da adoção do IPv6, podemos citar (sem a intenção de fornecer uma lista completa): França, Índia, Espanha, Austrália, Japão, Estados Unidos e Malásia.
Artigos Recomendados
Neste artigo é possível entender as razões do esgotamento do IPv4. Há quem não leve o assunto a sério, pois se fala nisso desde os primeiros anos da década de 1990, mas o IPv4 ainda não se esgotou. São discutidas aqui as razões que evitaram o esgotamento desses recursos nos últimos anos. É demonstrado também seu esgotamento iminente, e apresentado o IPv6 como solução definitiva para o problema.
Os Registros Regionais da Internet (RIR - Regional Internet Registries), responsáveis pelo gerenciamento, distribuição e registro dos endereçamentos IPv4 e IPv6, disponibilizam em seus sítios web dados estatísticos que nos permitem acompanhar o desenvolvimento da utilização do novo protocolo IP a partir da análise de informações como por exemplo, a quantidade de blocos de endereços IPv6 alocados e anunciados na tabela de rotas da Internet.
Neste artigo são apresentados gráficos disponibilizados pelo LACNIC (RIR que abrange os países da América Latina) referentes a distribuição de blocos de endereços IPv6 nos seus países membros, destacando os números relativos ao Brasil. Estes dados são atualizados freqüentemente, possibilitando o estudo da adoção do IPv6 nesta região.
A quantidade de serviços e sítios web disponíveis na Internet que aceitam conexões IPv6 tem aumentado gradativamente. Muitos desses serviços possibilitam a navegação em ambos os protocolos, entretanto, em alguns casos apenas conexões IPv6 são aceitas. Servidores de News, FTP, IRC e sítios de busca como google são alguns exemplos de serviços que estão trabalhando sob o novo Protocolo Internet e em muitos casos oferecendo facilidades a quem navega utilizando o IPv6. Neste artigo, apresentaremos alguns dos serviços disponíveis em IPv6, trazendo também novidades e curiosidades sobre os mesmos.
Este é um vídeo que mostra a palestra feita por Leandro Bertholdo no GTER-24, onde foi apresentada a experiência de implantação do protocolo IPv6 no POP-RS da RNP, incluindo os testes realizados, o porquê da migração, as alternativas e os problemas encontrados.
Perguntas mais comuns
Questões Gerais





O que é o IP?
IP é a abreviação, em inglês, de
Protocolo Internet.
Um protocolo nada mais é do que a definição do
conjunto de regras e códigos utilizados pelos computadores para se comunicarem em uma rede. No Protocolo Internet, uma dessas regras diz que cada um deles deve ser identificado de maneira unívoca, através de um número, que também leva o nome de IP. Não pode haver mais de um computador usando o mesmo IP em toda a Internet, o que permite que os dados sejam sempre encaminhados ao destino correto.
Pode-se fazer uma analogia entre o número (ou endereço) IP e o endereço, no mundo real e físico, de uma casa. Assim, o protocolo IP pode também ser comparado ao conjunto de regras de trânsito, mapas e sinalização que permitiriam a alguém chegar a esse local.
O que é o IPv6?
IPv6 é abreviação de
Internet Protocol version 6 ou, em português,
Protocolo Internet versão 6.
Pode-se dizer que um protocolo consiste num conjunto de regras que permitem a comunicação entre dispositivos. Grosso modo, protocolo é uma "linguagem". O Protocolo Internet, ou IP, foi criado para permitir a comunicação entre diferentes redes de computadores e hoje, em sua versão 4, é a base da Internet.
O IPv6 é o sucessor do IPv4. Ele foi desenvolvido ao longo da última década com essa finalidade. Hoje ele é um protocolo maduro, com várias vantagens em relação ao IPv4, e suportado pelos principais equipamentos e programas de computador.
Sua implantação na Internet já está em andamento, e deve ser acelerada nos próximos anos. O protocolo deverá estar já amplamente difundido até 2010 ou 2011, para quando prevê-se o esgotamento dos novos endereços IPv4.
Prevê-se que ambos, IPv4 e IPv6, funcionem lado a lado na Internet por muitos anos. Mas, a longo prazo, o IPv6 substituirá o IPv4.
Se compararmos o endereço IP com o endereço de uma casa, com a adoção do IPv6 será como se todas as casas ganhassem um número novo, mas diferente do antigo. Por exemplo, que fosse, ao invés de um número simples, um código baseado em números e letras. Dessa forma as casas teriam ainda seu número antigo e o novo código: eles não se misturariam ou se confundiriam, porque seriam diferentes. Ambos poderiam ser usados para se chegar a um determinado destino... Quando todas as casas recebessem o novo código o antigo poderia, finalmente, ser deixado completamente de lado, pois não teria mais utilidade.
Por que o IPv6 é necessário?
Uma característica importante do Protocolo Internet, é que cada dispositivo ligado à rede deve possuir um identificador único, que normalmente é chamado de endereço IP, ou número IP. Na Internet, esses números são controlados centralmente, e a entidade responsável é a IANA (Internet Assigned Numbers Autority).
O IPv6 é necessário porque os endereços livres no IPv4 estão se acabando. As previsões indicam que eles se esgotarão na IANA por volta de 2010 ou 2011. A IANA redistribui os números para entidades regionais, que por sua vez, fazem o mesmo para entidades nacionais, ou os designam diretamente para usuários finais. Por exemplo, a IANA assinala um bloco de números para o LACNIC, que é a entidade responsável pela distribuição na América Latina e no Caribe. O LACNIC assinala uma parte desse bloco para o NIC.br, que é o responsável por distribuí-lo no Brasil. Finalmente, o NIC.br designa blocos de endereços IP para os usuários finais ou provedores Internet. Entenda-se então que quando os endereços acabarem no IANA, ainda haverá endereços no LACNIC e no NIC.br, mas esses também se acabarão após 1 ou 2 anos.
Sem novos números IP fica muito complicado conectar novos usuários à Internet. Seu crescimento, então ficaria muito prejudicado.
No IPv6 a quantidade de endereços disponível é muito maior que no IPv4. Esses endereços deixarão, então, de ser um recurso crítico, pois estarão disponíveis de forma abundante. Isso permitirá a continuidade do crescimento da Internet.
Por que o IPv4 está acabando?
A Internet não foi projetada para ser o que é atualmente. Em 1983, ela era uma rede predominantemente acadêmica com pouco mais do que 100 computadores conectados. Seu sucesso, contudo, fez com que crescesse de forma exponencial. Por volta de 1993 iniciou-se sua utilização comercial e com a política então vigente de distribuição de IPs imaginou-se, então, que os mesmos poderiam esgotar-se em dois ou três anos.
O espaço de endereçamento do IPv4 não é pequeno. Cada endereço é um número com 32 bits, o que significa que existem 4.294.967.296 endereços, mas a política inicial de distribuição desses endereços não foi muito adequada, dividindo-os em classes. Havia 3 classes de endereços:
- Classe A: Consistia em 128 blocos de endereços, cada um com aproximadamente 16 milhões deles.
- Classe B: Consistia em 16 mil blocos, cada um com 64 mil endereços, aproximadamente.
- Classe C: Consistia em 2 milhões de blocos, cada um com 256 endereços.
A classe A, por exemplo, atenderia apenas a 128 instituições, mas sozinha consumia metade dos recursos disponíveis. Isso era um grande desperdício! Várias instituições como a IBM, o MIT, a HP, a Apple, entre outras, receberam esse tipo de bloco para utilizar. As outras classes tampouco representavam adequadamente as necessidades das redes conectadas à Internet, sendo grandes demais ou pequenas demais.
Essa política de classes foi responsável por um grande desperdício de recursos, nos primórdios da Internet, e essa é uma das razões pelas quais os novos endereços IP estão terminando. Ela foi, contudo, modificada em 1993, com a adoção do CIDR (Classless Inter-Domain Routing). Com o CIDR o tamanho dos blocos alocados para cada rede passou a corresponder à real necessidade das mesmas.
Apesar da adoção do CIDR e de outros fatores terem diminuido a demanda por novos endereços, essa demanda continua grande.
A Internet continua a crescer exponencialmente, com a conexão de novas empresas, instituições e pessoas à rede. Fatores como a inclusão digital e as tecnologias 3G, entre muitos outros, contribuem para esse crescimento. Por isso os endereços estão terminando.
Por que o IPv4 ainda não acabou?
Ao se perceber o iminente esgotamento dos números IP, quando se iniciou a utilização comercial da Internet, por volta de 1993, imediatamente o desenvolvimento de uma nova geração do Protocolo Internet começou. Essa nova geração deveria ser a solução definitiva para o problema e, de fato, esse desenvolvimento resultou no que hoje conhecemos por IPv6.
O desenvolvimento de um novo protocolo, no entanto, requer tempo e recursos consideráveis. Então, outras
soluções tecnológicas, paliativas, foram também adotadas no curto prazo. Essas novas tecnologias, nomeadas a seguir,
permitiram a redução da demanda por novos endereços, e a racionalização na forma como eles eram distribuídos, adiando assim seu esgotamento.
Entre as tecnologias relevantes, pode-se citar:
- CIDR (Classless Inter Domain Routing): É o roteamento sem uso de classes, descrito pela RFC 1519. Com o CIDR foi abolido o esquema de classes, permitindo atribuir blocos de endereços com tamanho arbitrário, conforme a necessidade. O CIDR permitiu um uso mais racional dos endereços disponíveis. Além disso, o CIDR permitiu também a agregação de informação nas tabelas de roteamento, que cresciam exageradamente, outro fator que contribuiu para possibilitar a continuidade do crescimento da rede.
- Endereços privados: A RFC 1918 especificou endereços privados, não válidos na Internet, que poderiam ser utilizados, por exemplo, nas redes corporativas.
- NAT (Network Address Translation): O NAT permitiu que redes, utilizando-se de endereços privados, se conectassem à Internet. Com o NAT, basta um endereço válido na Internet, para conectar, de forma limitada, toda uma instituição.
Essa solução é largamente utilizada e chega-se a questionar seu caráter paliativo, no entanto, o NAT traz uma série de problemas: ele acaba com o modelo de funcionamento fim a fim (peer to peer), trazendo complicações ou impedindo o funcionamento de uma série de aplicações, como por exemplo aplicações de voz sobre IP baseadas em SIP; ele não escala bem, pois exige processamento pesado; ele não funciona com IPsec; ele funciona como um stateful firewall, dando uma falsa sensação de segurança a muitos administradores de rede e colaborando para a não adoção de boas práticas de segurança nas empresas; entre outros.
- DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol): Descrito pela RFC 2131, esse protocolo permite a alocação dinâmica de endereços IP, o que trouxe a possibilidade aos provedores de reutilizarem endereços Internet fornecidos a seus clientes para conexões não permanentes, como as realizadas através de linhas discadas ou ADSL.
Quando o IPv4 vai acabar?
As previsões atuais indicam que o estoque da IANA acabará em algum momento entre 2010 e 2011.
Depois de terminar o estoque da IANA, as entidades regionais, como o LACNIC (América Latina e Caribe), o ARIN (América do Norte), o RIPE (Europa), o APNIC (Ásia e Pacífico) e o AFRINIC (Africa), ainda terão seu próprio estoque. O mesmo vale para entidades locais como o NIC.br. Estima-se que esse estoque local terminará em 1 ou 2 anos após o término do estoque da IANA, o que significa que não haverá IPs novos para os usuários em algum momento entre 2011 e 2013.
O final do estoque pode ocorrer em momentos diferentes em cada região.
Pode ser também que redes com determinadas necessidades não possam ser atendidas mesmo que ainda haja IPs no estoque. Por exemplo, no caso de uma rede necessitar de um grande bloco contíguo de IPs: esse pode não estar disponível, mesmo quando ainda houver blocos menores no estoque. Na verdade, as políticas de distribuição dos endereços remanescentes IPv4 estão sendo também discutidas. Conforme as políticas adotadas, a data de término pode ser um pouco adiantada ou postergada.
Quando o IPv4 acabar, o que vai acontecer?
Se o IPv6, nesse momento, tiver sido implantado com sucesso na Internet, e estiver sendo amplamente utilizado, ele permitirá que a rede continue a crescer, e não haverá problemas.
Se o IPv6 ainda não estiver amplamente em uso, poderá haver problemas. Sem novos endereços IP o crescimento da Internet ficará prejudicado, pois não é possível conectar novas redes ou usuários à mesma sem endereços adicionais.
Provavelmente alternativas serão encontradas para permitir a continuidade do crescimento da rede, nesse caso. Antevê-se algumas possibilidades, mas todas com reflexos negativos, por exemplo:
- Novas redes podem interligar-se à Internet com o uso de endereços privados e NAT. Ou seja, pode haver um incremento no uso de NAT e endereços privados, porque esse tipo de conexão já é comum atualmente. Essa tecnologia, no entanto, provê apenas uma conexão limitada à Internet, não permitindo a comunicação ponto a ponto e prejudicando vários tipos de aplicação, como por exemplo a Voz sobre IP.
- Pode surgir um mercado negro de IPs, com empresas possuidoras de grandes blocos, por exemplo, empresas que tenham recebido alocações de blocos classe A, nos primórdios da rede, vendendo IPs a preços altos. Isso pode encarecer os custos de conexão, prejudicar o sistema de governança existente atualmente, e dificuldar o gerenciamento da tabela de rotas.
A Internet vai acabar?
O
término dos endereços IPv4 não fará a Internet acabar, nem mesmo deixar de funcionar. Prevê-se que haverá uma
diminuição na taxa de crescimento da rede e que algumas novas aplicações, que poderiam ser criadas, não serão. Talvez as conexões à Internet fiquem mais caras.
Com a implantação do IPv6 antes do término do IPv4 não haverá problemas. Pelo contrário, o IPv6 traz avanços em relação ao IPv4, que deverão tornar possível a criação de novas aplicações na rede.
Quantos endereços Internet existem no IPv4? O que muda com o IPv6?
Os endereços no
IPv4 são representados internamente nos computadores com
números de 32 bits. Isso significa que há um total de
4.294.967.296 endereços possíveis. Alguns desses endereços não estão efetivamente disponíveis, porque têm usos especiais. É o caso do bloco de endereços reservado para
multicast (um tipo especial de roteamento de pacotes utilizado em algumas aplicações), ou ainda dos blocos reservados para os endereços privados.
No
IPv6, os endereços são representados por
números de 128 bits. Isso significa que há
340.282.366.920.938.463.463.374.607.431.768.211.456 endereços, o que representa cerca de 79 trilhões de trilhões de vezes o espaço disponível no IPv4. Esse número equivale a cerca de 5,6 x 10^28 (5,6 vezes 10 elevado a 28) endereços IP por ser humano, ou ainda, aproximadamente, 66.557.079.334.886.694.389 de endereços por centímetro quadrado na superfície da Terra.
Metade dos 128 bits, no entanto, está reservada para endereços locais numa mesma rede. Isso significa que somente
18.446.744.073.709.551.616 redes diferentes são possíveis.
A grande quantidade de endereços é capaz de atender às necessidades da Internet no futuro imaginável. Ela facilita também o processo de atribuição dos números dentro das redes permitindo, por exemplo, a configuração automática dos endereços IP com base no endereçamento físico das placas de rede.
Quantos endereços IPv4 ainda estão disponíveis?
Ainda estão disponíveis
39 blocos "/8". Cada bloco /8 representa aproximadamente 16 milhões de endereços. 39 blocos são aproximadamente
654 milhões de endereços, ou
15% do espaço total.
Isso pode parecer bastante, mas, segundo dados da NRO (
Number Resource Organization) (
http://www.nro.net/statistics), apenas em 2007, 12 blocos /8 foram utilizados, e a taxa de utilização vem aumentando ano a ano.
Quando será a "data da virada"?
Não existe uma "data da virada". Não vamos, por hora, migrar de IPv4 para IPv6. Vamos, isso sim, implantar o IPv6 na Internet, mas o IPv4 continuará, também, em funcionamento.
Migração ou implantação?
Fala-se de implantação do IPv6, e não de migração.
O termo técnico utilizado para a nova situação da Internet e das redes em geral é
dual-stack. IPv6 e IPv4 funcionarão em conjunto certamente por alguns anos, talvez por muitos, antes do IPv4 ser desativado.
O IPv6 cria uma nova Internet? Separada da primeira?
A "Internet IPv6" está nascendo à partir da "Internet IPv4". Ou seja, o mesmo computador que hoje é visível e acessível apenas através da "Internet IPv4", uma vez que tenha acesso ao IPv6, estará também na "Internet IPv6". Então, mesmo que tecnicamente sejam dois espaços de endereçamento separados, a Internet é uma só. As redes que compõem hoje a "Internet IPv4" serão as que formarão a "Internet IPv4 + IPv6" e, no futuro, a "Internet IPv6".
O IPv6 não divide a Internet em 2.
O que aconteceu com o IPv5?
O número 5 para os protocolos da camada Internet (camada 3) foi designado para o ST (
Stream Protocol). Para entender melhor à questão, é necessário recorrer à história da Internet:
Nos primórdios da Internet, na década de 1970, quando as primeiras versões do IP foram criadas para a NSFnet (rede da
National Science Foundation estadunidense), elas, na verdade, faziam parte do TCP. TCP e IP eram um único protocolo. Hoje eles têm diferentes funcionalidades: o IP cuida do endereçamento e do encaminhamento dos pacotes de dados de um computador para o outro, enquanto o TCP cuida para que os dados cheguem sem erros, e cheguem à aplicação correta no computador. No final da década de 1970 os engenheiros envolvidos perceberam que essas eram muitas tarefas para um só protocolo e resolveram separá-los. Assim, em setembro de 1981, foi padronizado o IP, na
RFC 791, juntamente com o TCP, na
RFC 793. Essa versão de IP, foi a primeira versão padronizada pelo IETF, mas já era a quarta versão do protocolo, então recebeu o número 4.
O
Stream Protocol é o protocolo cujo número de versão é 5. Ele não é compatível com o IP, com exceção justamente do campo de versão, que consiste nos primeiros bits de informação do pacote de dados, já que foi criado também para uso em redes ou na Internet. Sua função seria o envio de voz e vídeo via rede, como uma alternativa ao IP. O ST começou a ser desenvolvido também na década de 1970, mas a primeira vez que foi padronizado pelo IETF foi com a
RFC 1819, em 1979. Ele chegou a ser utilizado comercialmente, mas hoje não está mais em uso. Alguns dos conceitos do protocolo, no entanto, são utilizados no MPLS.
O IPng (
Internet Protocol New Generation), que resultou no desenvolvimento do IPv6, teve várias propostas de protocolos. Dentre elas o CATNIP (
RFC 1707), o PIP (
RFC 1622) e o TUBA (
RFC 1347), que receberam também números de versão. O SIPP (
RFC 1710) foi a proposta que transformou-se no IPv6 (
RFC 2460).
Versões dos protocolos na camada Internet
| versão |
nome |
data |
estado |
| 0 |
IP |
Março de 1977 |
não padronizado pelo IETF |
| 1 |
IP |
Janeiro de 1978 |
não padronizado pelo IETF |
| 2 |
IP |
Fevereiro de 1978 v.A |
não padronizado pelo IETF |
| 3 |
IP |
Fevereiro de 1978 v.B |
não padronizado pelo IETF |
| 4 |
IPv4 |
Setembro de 1981 |
em uso |
| 5 |
ST |
Setembro de 1979 |
em desuso |
| 6 |
IPv6 |
Dezembro de 1988 |
em uso |
| 7 |
CATNIP |
Outubro de 1994 |
em desuso, depreciado |
| 8 |
PIP |
Maio de 1994 |
em desuso, depreciado |
| 9 |
TUBA |
Junho de 1992 |
em desuso, depreciado |
| 10-15 |
|
|
não atribuídos |
Políticos, Legisladores e envolvidos com políticas públicas...
Como os governos de outros países estão incentivando a adoção do IPv6?
Vários governos têm incentivado a implantação do IPv6 na Internet, através do envolvimento de autoridades das áreas de comunicações, energia, ciência e tecnologia, educação, entre outras. Dentre as diversas ações tomadas, podemos citar as seguintes:
- Apoio a projetos de pesquisa sobre IPv6, e a projetos para a disseminação do novo protocolo.
- Criação de normas para aquisição de equipamentos e serviços, na esfera administrativa, com suporte obrigatório a IPv6.
- Implantação do IPv6 nas redes e serviços Internet do governo.
- Incentivos fiscais à adoção do IPv6.
Como exemplos de países que têm implantado ações em prol da adoção do IPv6, podemos citar (sem a intenção de fornecer uma lista completa): França, Índia, Espanha, Austrália, Japão, Estados Unidos e Malásia.
A intervenção do governo é importante para a adoção do IPv6?
Sim, é essencial.
Apesar do IPv6 trazer benefícios, estes não são visíveis a curto prazo, nem para as empresas e usuários finais em geral, nem para os provedores de Internet. Não obstante, a implantação do IPv6 é inevitável.
As autoridades do governo tem condições de colaborar para a adoção do novo protocolo na Internet:
- implantando IPv6 nas redes do governo;
- criando incentivos para a implantação do IPv6;
- criando e sancionando normas para a implantação do IPv6.
Como o governo dos EUA tem tratado essa questão?
Em agosto de 2005, o Escritório de Direção e Orçamento dos EUA (OMB) emitiu o memorando M-05-22: "Planejamento da Transição para o Protocolo Internet versão 6 (IPv6)", especificando que os
backbones das redes da Agências Governamentais Federais estadunidenses tenham implantado IPv6 para Junho de 2008. O memorando pode ser acessado em:
http://www.whitehouse.gov/omb/memoranda/fy2005/m05-22.pdf.
Isso não significa que todas as Agências hoje tenham o IPv6 completamente implantado em seus serviços, não significa nem mesmo que elas mantenham suas redes funcionando em modo
dual stack. Significa apenas que elas demonstraram que as suas redes já estão prontas para o novo protocolo, o que é um importante passo.
Como a União Européia tem tratado essa questão?
Desde 2002, quando foi lançado um plano de ação à adoção da nova geração do Protocolo Internet (
IP/02/284), a UE já investiu mais de € 90 milhões em pesquisas relacionadas ao IPv6, e tem a intenção de gastar € 300 milhões até 2013. Em conseqüência disso, todas as redes européias de pesquisa já estão prontas para o IPv6, sendo que a GEANT (
IP/08/354) é líder mundial na implantação deste protocolo, fazendo com que a Europa seja a região do mundo com maior adesão aos endereços IPv6.
Outro passo importante foi dado em 27 de maio de 2008 (
IP/08/803), quando a
Comissão Européia estabeleceu como objetivo para a Europa que, em 2010, 25% das empresas, administrações públicas e usuários particulares utilizem o Ipv6.
E para que isso ocorra, foi solicitado aos Estados-Membros da UE, que estes coloquem o setor público europeu na linha da frente da implantação da nova tecnologia, migrando para o IPv6 suas redes, seus sítios web e serviços de governo eletrônico. A Comissão quer também que os sítios web mais importantes da Europa participem desse projeto e espera obter o apoio de, pelo menos, 100 das principais operadoras européias de sítios web, antes do final de 2008. O próprio sítio web da Comissão (
http://europa.eu) estará acessível via IPv6 até 2010.
Em relação as indústrias européias de TI, foi sugerido que os Estados-Membros exijam a utilização do IPv6 como condição para os contratos públicos (como já fazem a Comissão Européia e o Governo norte-americano), e lancem campanhas de incentivo junto as empresas e organizações, além de ajudá-las na transição.
Como o Japão tem abordado a questão?
O governo japonês oferece, desde 2000, incentivos fiscais para a adoção do IPv6.
De que forma os governos federal, estaduais e municipais podem contribuir para o sucesso da adoção do IPv6?
1 - Implantando o IPv6 em suas redes, seus sítios Web, serviços de governo eletrônico, escolas, centros de pesquisa e universidades. Isso incentivará a iniciativa privada a oferecer produtos e serviços IPv6.
2 - Estudando formas de incentivo à adoção do IPv6 pela iniciativa privada.
Quais as ações mais urgentes?
1 - Discutir e entender a questão.
2 - Estabelecer que novos equipamentos, softwares e serviços usados nas instituições do governo devem ser compatíveis com IPv6.
3 - Planejar a implantação, estabelecendo metas claras e tangíveis.
Quais os riscos, caso o IPv6 não seja implantado a tempo no Brasil?
1 - Usuários Internet podem ficar sem acesso a novos sítios e serviços, baseados em IPv6.
2 - Pode haver um aumento no custo de conexão à Internet, por conta da necessidade de adquirir IPs (v4) a preços elevados, ou por conta de manter estruturas complexas de conversão de endereços (NAT e similares) em escala muito maior do que o que é feito hoje.
3 - Custo de oportunidade: o IPv6 traz novas possibilidades de serviços e negócios, que não poderão ser aproveitadas pelas empresas brasileiras.
4 - Perda de competitividade, porque a infra-estrutura Internet do restante do mundo estará muito melhor em termos de qualidade, desempenho e segurança.
5 - Dificuldade de implantar programas de inclusão digital, por conta da dificuldade de interligar novas redes à Internet.
6 - Dificuldade de implantar redes de nova geração, como serviços 3G, pela falta de IPs.
Última atualização 23/10/2008 15h24